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O que você quer é sucesso ou fama?



É muito fácil saber quando um profissional escolheu o caminho do sucesso ou o caminho da fama. Aparentemente o caminho da fama parece mais fácil, mais curto, mas a longo prazo, esse caminho se torna caro. Sou Bruna Pinheiro, tenho 18 anos de carreira na área da musica e, e vou falar um pouco desse mercado, mas como já pesquisei muito sobre outras áreas, sei que todo meio é um pouco parecido. Os detalhes até podem se diferentes, e os assuntos também, mas os comportamentos humanos se repetem. Já vi um pouco de tudo. Desde muito nova envolvida com a arte, e com tudo o que vem dela. Os bastidores não são muito comentados por quase ninguém, e eu vou falar um pouco em nossa coluna “Elas Paralelas”, que surgiu da união de duas profissionais, Camila Chagas (empresária e publicitária), e eu (cantora, compositora e comunicadora).

Não me considero escritora, apesar de escrever desde muito pequena. Essa idéia de escrevermos juntas se deu por conta de vivermos sempre juntas e, praticamente, as mesmas experiências. Quando discutimos, sempre percebemos que enxergamos as mesmas coisas, mas de pontos de vistas diferentes. Ela, mais racional, e eu mais emocional. Mas, sempre andamos juntas, com raras exceções, e por isso o nome “Elas Paralelas”. Nos conhecemos através de amigos em comum, num momento em que eu não estava satisfeita como a forma que estava sendo conduzida a minha carreira (por um escritório), e ela insatisfeita também com seu trabalho em uma grande agencia de publicidade.

É impressionante como as coisas acontecem exatamente na hora certa. No fundo, eu tenho certeza que sempre estamos exatamente aonde deveríamos estar. Só pra contextualizar, sou muito espiritualista. Acredito em algo maior. Em Deus, no Universo e, em outros seres além de nós. Seria muita prepotência de nossa parte acharmos que somos os únicos no Universo. E, enquanto estamos aqui pensando que somos os melhores empresários, médicos, artistas, cientistas e, se apegando em “status”, e principalmente se apegando no “TER” e não do “SER”, os maiores profissionais estão no comando lá do céu. E eu costumo brincar que nós seres humanos, aqui na terra temos o controle mas os seres lá do céu, eles tem a pilha.

Status tá interligado à fama, e consequentemente a preocupação com ele vem do ego. Quando nos desapegamos do ego, tenha certeza que o sucesso vem. É consequência. É natural. É certo. Falei tudo isso para enfatizar a importância de não escolhermos o caminho mais curto e fácil aos nossos olhos, porque como eu disse anteriormente, essa escolha pode acabar custando caro demais. É claro que nao existe o certo ou o errado, mas dentro de nós sabemos exatamente o que devemos fazer. E, se voce “acha” que não sabe, fique ligado nos textos de nossa coluna, pois vamos abordar muitos assuntos como: “Encontrar o seu propósito de vida”, “Encontrar a sua verdade e ganhar dinheiro com ela”, “Como se destacar na sua área”, “Como assumir um comportamento de líder”, entre outros temas muito atuais.

Sou cantora e compositora mas hoje entendo a importância de estudar assuntos como desenvolvimento pessoal e espiritualidade. Esses temas estão presentes em qualquer área de sua vida, e estudar inteligência emocional me fez entender o meu propósito de vida, encontrar a minha identidade musical, e tudo isso trás segurança e entusiasmo. E, consequentemente, sucesso. Mas, talvez não o sucesso que vocês estão pensando agora. Não que eu saiba o que vocês estão pensando.

Mas, sucesso para mim, depois de tudo o que eu vi nesses 17 anos de carreira, é estar alinhado com o que você realmente é e gosta de fazer, ao invés de ser conhecido por bilhões de pessoas, mas ao mesmo tempo estar infeliz, mesmo sem que ninguém saiba, mesmo com um universo de pessoas te amando.

O verdadeiro sucesso vem de dentro, você enxerga nos olhos e no sorriso da pessoas. Não está relacionado com o dinheiro. É claro que o dinheiro nos ajuda sim em momentos de felicidade. Nao serei hipócrita em dizer o contrário, mas ter dinheiro não significa que você estará feliz e realizado. Porque depois que a realização financeira passa, se você não encontrou o seu propósito de vida, e não sabe o que veio fazer nesse mundo, vem um vazio, e com ele a depressão e ansiedade.

Não estou dizendo que as pessoas que encontraram seus propósitos de vida não tem dias tristes, e não sentem ansiedade e tristeza as vezes, mas a diferença é que uma pessoa sem propósito empondera as suas fraquezas, enquanto a pessoa que tem inteligência emocional, sente a tristeza mas sabe exatamente como lidar com ela, e sabe o lugar dela.

Pra ser mais prática, quando eu não tinha um propósito definido, eu pensava em desistir de minha carreira, e hoje quando estou triste ou algo de ruim me acontece, eu faço uma música. É aquela velha frase clichê: faça um castelo com as pedras que te atirarem. Mas, sabemos que não é simples. É exatamente por isso que vemos por aí tanta gente se matando, ou em depressão, crises de pânico e ansiedade. E dentro da minha área é muito comum e, eu sei muito bem porque acontece tudo isso. É uma pena que tenhamos perdido grandes nomes da nossa música popular brasileira por conta disso tudo que venho falando por aqui. Elis Regina, Cassia Eller, Charlie Brown Jr, enfim. Você deve estar pensando: O que isso tudo tem a ver com sucesso e fama?

O sucesso é você estar alinhado/ conectado com o que realmente gosta. E por mais que seja gostoso receber um reconhecimento externo, você não precisa disso para se sentir feliz, pois você já está feliz fazendo o que gosta e, é natural que o reconhecimento venha e que você lide de uma forma tranquila com esse sucesso, como uma consequência. Já a Fama, é você se vender para o que o mercado quer. Na fama, você se transforma em produto. E transformar um ser humano em produto não seria desperdiçar demais todo o conteúdo daquele ser ? Na fama, pra você se sentir feliz, precisa de uma aprovação externa. E colocar o poder no externo para ser feliz é a garantia de perder o poder que você tem sobre você e a sua vida.

O sucesso é construído, a fama é como uma nuvem passageira. É como fofoca, cada hora é uma e, passa rápido. No pacote do sucesso, o respeito é embutido. É por todos esses motivos que não da pra falar de sucesso sem tocar na inteligência emocional, no desenvolvimento pessoal, e até em espiritualidade. Bem, a música está altamente ligada a espiritualidade. Se não, Inspiração seria o que ? Eu até poderia usar somente a técnica para fazer o meu trabalho, as minhas músicas, mas com certeza eu não emocionaria tanto. rs

Falei tudo isso, pra dizer que a minha união profissional com Camila Chagas começou exatamente dessa forma. Ela saiu de uma grande agência de publicidade em que ganhava muito dinheiro mas não estava feliz, e eu troquei o certo pelo duvidoso.

Decidi sair de um escritório que me sustentava e investia muito dinheiro em mim, mas em que eu não estava feliz. E troquei pela liberdade, pela fé que eu tinha em mim, e em algo maior: de que eu poderia e merecia trabalhar feliz, com a minha verdade, sem precisar me vender. Foi nesse momento, passando de escritório em escritório, fazendo milhares de reuniões com a Camila e com o nosso plano de carreira nas mãos, que percebi que enquanto eu não fizesse um trabalho comigo mesma, eu não convenceria as pessoas. Afinal, eu estava (mesmo sem saber) atrás da fama, todo esse tempo, e por isso nada do que tinha acontecido, ainda, tinha me preenchido. Então resolvi fazer um trabalho de identidade musical, que acabou caindo em identidade pessoal, e o resultado disso foi a de que eu não correria mais atrás das borboletas.

À partir de agora eu cuidaria do meu jardim, e as borboletas certas viriam até mim, e foi exatamente o que começou a acontecer. Escolhi o caminho do sucesso, o que não significa que eu não faça um marketing da minha carreira. São duas coisas distintas. Mas, é um marketing fundamentado em fatos reais. Não é regra, mas na maioria das vezes, o caminho do sucesso é um pouco mais longo, porque é construído dia após dia, com paciência, verdade, autoconhecimento, entusiasmo, amor, fé, e humildade. E se você tem pressa, caminhe devagar. Nem sempre quem chega primeiro, chega melhor. Quem quer chegar primeiro é o ego, e não o seu verdadeiro eu.

BRUNA PINHEIRO

Eu venho de uma família que me proporcionou bons estudos e oportunidades, já morei fora do Brasil e trabalhei em multi nacionais no exterior, e no Brasil. Sou publicitária e marketeira de formação, mas quando conheci a Bruna, vi uma oportunidade de conduzir meu próprio negócio e minhas próprias crenças dentro de algo que sou apaixonada: a música. O mercado está cada vez mais competitivo, o ser humano está absorvendo o tempo ao trabalho, e cada vez mais vivemos pela falta de tempo em fazermos tudo que gostaríamos. Foram 15 anos em agências, trabalhando para clientes como Nestlé, Unilever, Procter & Gamble, Visa, Adidas, Arcor, Samsung, Nivea. Já vi de tudo e mais um pouco. Pessoas admiráveis, outras nem tanto assim; já cruzei com verdadeiros “diabos que vestem Prada”, para quem já assistiu ao filme, ou seja, pessoas que acreditam ser o Posseidon, a oitava maravilha do mundo, apenas por estarem em cargos de poder. Ah o poder ! Poder esse passageiro, mas que as pessoas se enganam em acreditar que não. Quem nunca ouviu o ditado “dê poder a ela e veremos quem realmente ela é”. O “estar” é passageiro, o “ser”, não.

E justamente sobre isso que nos propomos a conversar com vocês hoje: fama e sucesso. A fama vem da necessidade de se destacar e crescer a qualquer custo, sem se importar muito com valores ou escrúpulos sociais. Vem de uma necessidade momentânea de ser qualquer coisa e aceitar qualquer condição para chegar onde uma ambição desmedida pode levar. E muitas vezes, essa ambição é completamente sem limites. Hoje a sociedade impôs que para você ser bem sucedido precisa ter o carro do ano, morar numa casa própria legal, ter filhos encaminhados em boas instituições de ensino, um cargo de diretor pra cima em uma empresa de renome e para completar esse bolo com uma cereja, não podemos esquecer da viagem internacional todo ano. Já pensei assim, e trabalhei anos e anos em busca de conquistas parecidas.

E vi muita gente passar em minha frente, subir mais rápido que eu, pessoas que tinham ótimos discursos, mas que na hora do vamos ver, não tinham a menor idéia do que estavam fazendo, de como executar as coisas, de como eram os procedimentos internos da companhia em que trabalhavam, que mal paravam no escritório, e que tratavam seus cãezinhos de estimação melhor do que seus funcionários. Muitas vezes me perguntei como era possível; porque como uma boa capricorniana, meu nome é trabalho, e meu sobrenome é dedicação e organização. Passei noites em claro trabalhando, trabalhando, e via essa galera só na politicagem, puxando o saco de quem podiam e não podiam, e crescendo em cargos e salários. Como pode? O sistema não enxerga? Mas era isso mesmo o que “os tais chefes”queriam.

Semelhantes a eles, puxa sacos que também pudessem encobrir suas fachadas. E eu? Bem, nunca gostei de puxa-sacos. Demorei mais, mas fui crescendo pelo meu mérito. Mas ainda assim, percebi que não estava usando o máximo de meu potencial, o que ao longo prazo sempre me frustrava e me fazia procurar novas oportunidades. Um dia, entendi. Esse era o formato errado, estava completamente míope. Focada em algo que mandava bem, mas que já estava acostumada. Estava me faltando propósito, motivação, e já estava cansada de sorrir fingindo que tudo estava bem. Entendi que o sucesso vem de fazer algo que me faz feliz, que me completa, e que dessa forma, não precisaria ser reconhecida por meus chefes, ou por ninguém. Sucesso é fazer coisas que te trazem alegrias. E o dinheiro? Bom, ele acaba vindo em até mais quantidade, mesmo se tornando algo secundário. Porque quando você faz o que ama, acaba trabalhando muito mais, sem nem perceber.

Hoje, sucesso para mim é ter uma família com quem posso trocar experiências e pensamentos, uma vida saudável e sem preocupações, em que posso controlar meu tempo, meus dias e minha rotina. É viajar se quero, quando quero e se tenho vontade. É cuidar do meu corpo, da minha saúde, sem mais desculpas que não tenho tempo. Sucesso são as escolhas que tomamos. É estar alinhado com sua verdade interna. Ela não precisa ser eterna, ser a mesma desde que nasceu. Mas ela precisa ser verdadeira, e você, precisa ser verdadeiro com você. Não precisamos ter medo de recomeçar, e nunca é tarde também. Nunca voltamos à estaca inicial, então se não estiver mais legal, dê meia volta e caminhe para uma outra direção. Tudo o que você aprendeu, está dentro de você. E isso ninguém nunca pode tirar de você. Faça as coisas de coração aberto, e tudo irá fluir.

Na música, não é diferente. O ego também está nos empresários, artistas, que sorrindo muitas vezes acabam camuflando seus lados humanos, para se tornarem ícones de desejo. Mas é preciso saber lidar. Está aí também nosso desafio de aperfeiçoamento de nossa inteligência emocional; afinal não crescemos se nos isolarmos do mundo. Mas é preciso entender como trilhar o caminho da sua verdade, e do bem. Porque cedo ou tarde, colhemos os frutos, ou pagamos por nossas escolhas, sendo elas boas ou ruins.

Muitos artistas escolhem o caminho da fama, de um “sucesso” meteórico, se vendem para ele e topam gravar qualquer música da moda, mesmo que aquela letra ou melodia não condiga nada com seus estilos de vida. Optam em gravar funk, quando sequer sabem dar um rebolado, e cedo ou tarde isso fica falso, ou artificial. Tentar enganar o público é subestimar de sua inteligência. O público gosta do que é real, e um bom exemplo disso são músicas sem muita produção e que não precisaram de milhões para estourar, como é o caso de “Trem Bala”.

Artistas entram em escritórios e aceitam qualquer coisa para enriquecer mais rápido o bolso dos empresários. Afinal, a maioria dos escritórios tem um prazo de validade e contratos com data para acabar. E nessas horas, o escritório está mesmo interessado na fama a qualquer custo, em ganhar o máximo de dinheiro que puderem com aquele artista, sem se preocuparem com excesso de shows, cansaço do artista, desgaste com fãs e até na super exposição. Sem a preocupação de algo tão meteórico, ou de um escritório tão tirano, um artista teria a oportunidade de construir uma carreira dentro de sua verdade, vestir o que tem vontade, falar o que acredita, e fazer as coisas no tempo e de uma forma mais saudável. Mas não é isso o que acontece na maioria das vezes.

Produzimos artistas como produzimos “batata chips” ou refrigerante, em larga escala, e formamos “artistas junk”, como “junk food”. E depois reclamamos da qualidade musical e cultural do país. É preciso assumir responsabilidades. Somos nossas escolhas.

CAMILA CHAGAS

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